quarta-feira, 11 de junho de 2008

MULTICULTURALISMO E RAÇAS

Globalização, multiculturalismo, pós-modernidade, questões de raça e gênero, manifestações culturais, movimentos religiosos, diversas formas de violência e a exclusão social são fenômenos de nosso tempo, que caracterizam a época em que vivemos.
O multiculturalismo, sendo um fenômeno de nosso tempo, traz para o campo da educação uma série de questionamentos e desafios, tais como o respeito à diferença, à diversidade cultural e ao redimensionamento das práticas educativas, a fim de se adequar às recentes demandas por uma escola mais democrática e inclusiva.
O multiculturalismo é uma realidade que suscita novas questões para a escola e que não pode ser ignorado ou minimizado. É a interação de culturas, que se fundem num sistema marcado pela efervescência das questões trazidas pela diferença. Diferença de gênero, de raça, de classe social, de orientação sexual, de identidades, de origens. Diferença que até bem pouco tempo ficou ocultada pela força do discurso sobre igualdade.
"A diferença é o nó central do multiculturalismo."(Vera M. Candau) Poderíamos dizer que o multiculturalismo e a reivindicação pela diferença trazem o apelo do reconhecimento e da garantia de direitos de diversas identidades, tais como o negro, a mulher, o homossexual, o indígena, o jovem.
Neste sentido, é importante frisar que o processo de marginalização, provocado por estas características específicas de um conjunto de indivíduos, tem sido muitas vezes, "a força-motriz para esse grupo se reconhecer enquanto grupo que partilha uma identidade e também uma situação social desfavorável."(Vera M. Candau) Daí não ser difícil perceber o porquê das "reivindicações multiculturais" estarem marcadas pela indignação e muitas vezes pela violência.
O multiculturalismo é algo perturbador, que tira a segurança e a sustentação de muitos aspectos da vida social. "A teoria multicultural traz à tona as contradições da sociedade ocidental que se professa universalista e igualitária, mas que diante dos questionamentos multiculturais descobre-se monocultural e profundamente marcada pela desigualdade."(Vera M. Candau)
Os multiculturalistas defendem que como o universalismo, a igualdade é um equívoco, pois a igualdade pretendida pelos monoculturalistas não engloba o conjunto de todos os cidadãos, porque exclui inúmeros indivíduos. Por mais contraditório que pareça, o multiculturalismo defende que não há nada mais universal que as diferenças humanas, o que na verdade vem a nos caracterizar: sermos todos diferentes.
A diversidade cultural é essencial para a evolução de potencial criativo de toda a humanidade, isso contribui para gerar novos modos de pensamentos e de diferentes formas de expressão. Ao receber influência de outras culturas, cada grupo social faz a sua seleção, distingue o que usar, o que podem adicionar aos seus costumes e o que descartam de sua tradição.
Quanto ao tema da educação para o respeito à diferença e para uma superação da intolerância, fica claro que a escola tem um grande desafio: articular igualdades e diferenças, a base cultural comum e expressões da pluralidade social e cultural. Nossos educadores e educadoras não podem ignorar esta questão.
O multiculturalismo na Pedagogia induz para a transformação de professores e educadores progressistas, é uma crítica que apresenta ações transformadoras que pode e deve desempenhar um papel significante na construção de políticas educacionais. A introdução do multiculturalismo geraria um campo de pesquisa, de reflexão e atuação para a forma de educar. Isso tudo com o objetivo de evitar que o processo de globalização conduza a uma homogeneização, cujo resultado é a submissão e mesmo extinção de várias expressões culturais. Para isso os educadores devem, necessariamente fazer uma análise das formas de explicar, de conhecer, de entender, de lidar e de conviver nas inúmeras e distintas culturas. O multiculturalismo na Pedagogia é fundamental para encorajar estudantes e educadores a serem capazes de articular interesses comuns e gerais que acabem com uma visão egoísta de superioridade cultural.
O tema da diferença trouxe para o campo da educação um conjunto de novas e instigantes questões que não podem mais ser desconsideradas. Esta discussão que surge a partir da defesa do direito à diferença e do direito à igualdade traz para a escola um constante desafio, pois só aprenderemos a descobrir e valorizar a diversidade convivendo com pessoas diferentes, diversas, plurais. "É graças às diferenças culturais que o nosso mundo se torna mais interessante, mais curioso. Mas, infelizmente, ainda há questões que são verdadeiros estigmas, que funcionam em nossa sociedade como marcas vergonhosas que expõem ao desprezo, à opressão e até à exclusão social."(Vera M.Candau) Muitos de nós, ainda não aprendemos a respeitar o que nos torna diferente dos outros. Devemos respeitar aquele ou aquela que fala diferente, que tem outras crenças, que pertence a outra cultura, a outra geração e a outra classe social. No entanto, acreditamos que todas as pessoas, sendo assim como são - distintas - são especiais e interessantes na sua maneira de ser. Devemos valorizá-las e temos que aprender a conviver com as diferenças. E é essa mensagem que a escola tem a trazer a seus educandos a respeito deste fenômeno de nosso mundo globalizado.

Uma Senhora com S grande...

quinta-feira, 15 de maio de 2008

terça-feira, 22 de abril de 2008

Minha aldeia é todo o mundo.
Todo o mundo me pertence.
Aqui me encontro e confundo
com gente de todo o mundo
que a todo o mundo pertence.
Bate o sol na minha aldeia
com várias inclinações.
Angulo novo, nova ideia;
outros graus, outras razões.
Que os homens da minha aldeia
são centenas de milhões.
Os homens da minha aldeia
divergem por natureza.
O mesmo sonho os separa,
a mesma fria certeza
os afasta e desampara,
rumorejante seara
onde se odeia em beleza.
Os homens da minha aldeia formigam
raivosamente com os pés colados ao chão.
Nessa prisão permanente
cada qual é seu irmão.
Valência de fora e dentro
ligam tudo ao mesmo centro
numa inquebrável cadeia.
Longas raízes que imergem,
todos os homens convergem
no centro da minha aldeia.

António Gedeão

Multiculturalismo

quarta-feira, 9 de abril de 2008

É proibido Proibir

"É PROIBIDO PROIBIR..."*
HOLGONSI SOARES
Professor Assistente do Depto. de Sociologia e Política - UFSM -
*Publicado no jornal "A Razão" em 22.08.97
"é mais fácil desagregar um átomo do que os preconceitos"
(Albert Einstein)
A questão da tecnologia tem causado um grande impacto na escola (em todos os níveis). Isto explica-se devido a enxurrada de elementos novos e a exacerbação de antigos que, advindos do avanço tecnológico têm proporcionado rupturas e/ou superposições definidoras de um novo paradigma neste final de século/milênio. Porém frente ao mesmo, é extremamente reduzido o número de professores que buscam um entendimento sobre os desafios que já está enfrentando, com o objetivo de traçarem uma linha de ação condizente com a realidade que estão inseridos. A maioria, frente aquele impacto, prefere continuar arraigada a uma concepção de educação, política, ciência... enfim, mundo, que não possui mais sustentação. Divididos em "pessimistas tecnológicos" (que como diz A.Jabor: "são os paranóicos que acham que o neoliberalismo é uma trama da IBM e da Microsoft em Washington") e "indiferentes tecnológicos" (nada faz parte de nossa realidade; tudo está muito distante, "lá... nos países desenvolvidos"), os professores conseguem apenas exercitar a consciência ingênua, sob cujas asas foram criados, e com isto seus preconceitos em relação "ao diferente" fazem da escola um local que limita a imaginação criadora, a consciência crítica e consequentemente o desenvolvimento global das inteligências.
Um exemplo ilustrador: na reportagem sobre o tamagotchi ("o mascote virtual..."-ZH-17/08), "banido da sala de aula", a Psicóloga Denise Maia, concordando com a "banição do animalzinho cibernético" , afirma :"(...) As escolas tiveram de proibir. Mais uma vez foram os educadores que souberam estabelecer limites(...)". Vamos esperar agora, a reação dos professores frente ao lote de 6.060 computadores de última geração que chegarão as escolas e serão ligados à Internet. Talvez farão piquetes capitaneados por slogans do tipo: "neoliberalismo", "imperialismo cultural", "fora globalização", "pós-modernidade reacionária"... impedindo a instalação destes produtos diabólicos do capitalismo(!).
Das séries iniciais à pós-graduação, a escola sempre foi perfeita nisto. A tudo que é novo, desafiador e complexo, responde com "proibições"; quem colabora com isto ainda recebe o nome de "educador". É mais fácil/prática esta atitude, do que redefinir a prática educativa a partir dos desafios da realidade histórica concreta, pois para isto, (em todos os níveis), é necessário um questionamento constante sobre: "Educar - como?, para quê?, o que?" (T.Adorno) . Com certeza as respostas não serão padronizadas, muito menos fixas, menos ainda iguais as de uma década atrás, e que foram sacramentadas por uma estrutura burocrática autoritária que se vangloria de " saber estabelecer limites".
O avanço tecnológico não é anterior ou posterior a outras problemáticas da escola (estrutura física, baixos salários, pobreza dos alunos...). Não é após a resolução destes que se deve pensar naquele, mas sim concomitantemente, pois do contrário é que estamos colaborando para manter nossa eterna posição de "submissos". A crítica autêntica só é possível através da participação ativa no processo. Com relação as inovações contemporâneas e a escola, a Dr.a Léa Fagundes(UFRGS) tem toda razão: "a escola é uma das instituições mais reacionárias". As inovações podem enriquecer e dar vida ao ambiente educacional; como diz Léa, "dá para fazer muita coisa, só o que não dá para fazer é proibir". Portanto, para uma escola que sempre proibiu, a ordem agora (num espaço-tempo globalizado) é: proibido proibir... pensar, falar, questionar, criticar/discordar, criar/mudar/inovar... Nossos alunos e a sociedade agradecem.

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Educação Intercultural ou Educação Multicultural?

«Se reflectirmos ponderadamente, será fácil apercebermo-nos que num país tão pequeno como o nosso, os habitantes das diversas regiões possuem costumes diferentes, pronunciam algumas palavras de forma diferente, acreditam em coisas diferentes... Se convivemos todos em harmonia há tantos anos, qual é a justificação para não aceitarmos outras pessoas, quando a base desse argumento é a diferença, que afinal tanto nos une? »
Nogueira (2001)

Autores cujos contributos para a questão nos parecem relevantes...

  •  PERES, Américo N. (1999). Educação intercultural. Utopia ou realidade?. Porto: Profedições.
  •  SILVA, Maria do Carmo Vieira da (1995). “Escola e Educação Multicultural”. In Educação Ensino, nº 10, Maio-Junho.
  • STOER, S. R. e CORTESÃO, L. (1999). Levantando a pedra: Da Pedagogia Inter/Multicultural às Políticas Educativas numa Época de Transnacionalização. Porto: Edições Afrontamento.
  • SOUTA , Luís (1997). Multiculturalidade & Educação, Porto, Profedições.